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FERNANDOSANTANA paixão pelo futebol

PARA O BLOG DO AMIGO FERNANDO SANTANA

FUTEBOL & CONHECIMENTO

Fernando Antônio Gonçalves

Uma pequena amostra do noticiário esportivo dos últimos tempos: 1. Um campeão do mundo seduzido por um prostituto de rua, levado para um motel com mais dois travestis, causando uma barafunda da gota serena, tudo terminando numa delegacia de polícia; 2. Em plena partida de futebol internacional, jogador irracional, doido por quinze minutos de fama, arranca cartão amarelo das mãos do juiz com ferocidade tipicamente animal; 3. Atleta de Olimpíada se descontrola em plena competição mundial, ao perceber extravio de sua vara, perdendo também um lugar no pódio vencedor; 4. Atleta, fricotamente envaidecido por um já-ganhou antecipado por bobeira feita por competidor anterior, dá uma cambalhota mal feita, caindo com os quartos do chão e as mãos na face, cobrindo choro descontrolado; 5.Técnico de futebol, apatetadamente, sendo flagrado enviando uma “banana” para a torcida.

Tudo faz crer que os acontecidos acima retratam uma emocionalidade deficitária, causada por fatores vários, desde idióticos eudeusamentos midiáticos até cavilosidades familiares dos que antes não gozavam aplausos, passando pelos marqueteiros que induzem ascensões falaciosas dos ainda em formação.

Para uma melhor compreensão, reproduzo uma parábola contada por monges budistas:
numa excursão, um jovem encontrou um ninho de águia. Retirando de lá um ovo, alojou-o em casa sob uma galinha chocadora. O resultado foi o nascimento de um filhote de águia no meio dos pintainhos. Bem criada, a águiazinha não sabia sequer que não integrava a categoria. A falsa galinha jamais tomou a iniciativa, até observar uma águia sobrevoando o galinheiro em missão caçadora. Um convicção surgiu: ” Não sou galinha. Não nasci prá viver em galinheiro. Meu destino é o céu”. E alçou vôo, deslumbrada, imaginando-se muito águia, embora conservando toda a formação de galinha. Resultado: tornou-se águia, sem jamais ter abandonado uma mentalidade de galinha.
Na área dos esportes, principalmente na do futebol, amador e profissional, um banho educacional(conhecimento + comportamentalidade + desindividualismo + invenção do futuro) se torna urgente. Para jogadores, técnicos e dirigentes, inclusive os das federações, os primeiros sendo os mais prejudicados, abandonados no frigir dos ovos. No Sindicato dos Jogadors Profissionais, por exemplo, nunca se deveria esquecer a advertência famosa do sociólogo espanhol Ortega y Gasset: “Como é possível rãs discutirem sobre mar, se nunca sairam do brejo?” Que bem complementa um conhecido provérbio iídiche: “Para o verme num rabanete, o mundo inteiro é um rabanete”.

Através de uma estratégia de ampliação do conhecimento e da cidadania, facilmente se reconheceria os talentosos de mesmo, renegando os gigantes da fanfarria e os anões neuroniais, inimigos mortais de todo e qualquer ramo profissional. Somente através de consistentes dinâmicas educacionais se poderia erradicar os mentalmente ananzados e os fafas grandalhões, os que apenas fingem ser, sem um mínimo senso crítico, facilmente superados antes de atingir a linha de chegada.

Outro dia , alguém disse: “Quem tropeça na educação, murcha no crescimento”.
As promessas de vida fácil, com muito dinheiro estão multiplicando os otários compulsivos. E quando o otário é alertado, sente-se ressentido, como se o mundo inteirinho estivesse tentando destruir seu tresloucado projeto de enriquecimento ultra-rápido.

Diz um escritor amigo meu, o Luiz Berto, que: “Pode-se perdoar tudo num homem, menos que não bote força para deixar de ser burro”. Em outra palavras: para que o futebol não afunde, temos que ter uma nova maneira de pensar.

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Fernando Antônio Gonçalves é Professor Universitário e Pesquisador Social

Categoria: Artigos

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